REDONDAS



Felizes
Como são felizes
As mulheres gordas
Como riem roucas
Suas carnes fartas
Suas bocas

Solenes
Como são solenes
As mulheres gordas
Com seus timbres graves
Suas faces rubras
Suas curvas

Coquetes
Como são coquetes
As mulheres gordas
Com seus ventres férteis
Suas coxas úmidas
Suas bundas

Vorazes
Como são vorazes
As mulheres gordas
Com seus dentes ávidos
Seus orgasmos múltiplos
Seus escrúpulos

Profundas
Como são profundas
As mulheres gordas
Com seus amplos mares
Suores, amores,
Suas dores

Roliças
Compulsivas
Frouxas
Como somos lindas
Como somos doidas
As mulheres gordas.


(Amneres)

*Do livro inédito RAZÃO DO POEMA, a ser lançado ainda este mês, no Centro Cultural Banco do Brasil
(data a confirmar aqui mesmo no site da usinadeletras.com.br)